Tutorial completo de Wakebord

Tutorial completo de Wakebord

Dicas e informações para comprar e andar de wakebord.

Índice:

1. Escolhendo a sua prancha
2. Escolhendo a sua bota
2.1 Tipos de botas
3. Preparando o barco e os acessórios
4. Fazendo a raia
5. Passo a passo para iniciantes
5.1 Como levantar
5.2 Em pé
5.3 Para pular
6. Glossário
7. Manobras básicas
8. Como conservar o seu equipamento


1. ESCOLHENDO A SUA PRANCHA

Para quem está começando a praticar wake, o primeiro passo é conferir qual tamanho de shape fica melhor em relação ao seu peso. Pessoas com peso maior geralmente começam com pranchas maiores e pessoas com peso menor geralmente começam com pranchas menores. Isso não quer dizer que não se pode andar com pranchas diferentes das recomendadas. Logo abaixo temos uma tabela que resumidamente demonstra essa relação “tamanho prancha x peso”.

Tamanho da Prancha (em cm)

Peso do praticante (em kg)

132 e 134

Até 70

135 e 136

Até 80

137 e 138

Até 85

139 e 140

Acima de 70

141 e 142

Acima de 75

143 e 144

Acima de 80

Existem algumas características adicionais a se considerar sobre o tamanho dos shapes. Wakeboards menores são leves, giram rápido e parecem mais agressivos. Porém, eles não facilitam muito durante as aterrissagens. Não há muita área para o pouso, portanto o wake não irá equilibrar tão bem quanto um wake maior. Você terá que trabalhar um pouco mais para manter a ponta na cavada. Contudo, quanto menor o wake, melhor para os praticantes que gostam de manobras com trocas de base e rotações.

Wakeboards maiores proporcionam um estilo mais lento e suave. Um wake maior move-se mais lento na água, fazendo parecer mais suave. As superfícies maiores deixam seu giro mais devagar e grudam na água com mais força e por mais tempo. Se você quer saltar alto, superfícies maiores permitem pousos suaves, poupando seu corpo de grandes impactos.

Além de conferir o tamanho, é bom saber se você já praticou wakeboard antes ou algum esporte que tenha a base semelhante como skate, surfe ou snowboard. Com essa prévia experiência você já terá uma vantagem em relação ao posicionamento dos pés e movimentos que fazem parte do esporte e até poderá se arriscar em pranchas mais agressivas e que exijam um pouco mais de habilidade por parte do rider.

A composição das quilhas também influencia na manobra. Quilhas centrais funcionam como eixo para manobras de rotação e quilhas paralelas proporcionam estabilidade tanto no salto como na aterrissagem. O tamanho delas também tem influência no shape, em geral quanto maior a superfície, melhor ela trava a prancha na água. Uma quilha alta com base curta é aproximadamente o mesmo que uma quilha curta com base longa, porque elas têm uma área de superfície em quantidades similares.

Atualmente, a tendência é utilizar as quilhas paralelas com bases longas e a pouca altura. Outro detalhe importantíssimo é o rocker. Rocker é a angulação que você vê de ponta a ponta. Existem três tipos de rocker: contínuo (ou um estágio), rocker três estágios e rocker híbrido. Um rocker contínuo é aquele que tem uma curvatura suave, que não muda da ponta até a cauda, enquanto o de três estágios tem dois pontos de curvatura distintos, quase como um shape de skate, ou seja, uma base praticamente reta e as pontas com uma curvatura diferenciada. Wakeboards com rocker contínuo tem menor impulsão no pulo, mas você anda mais rápido porque a água flui sem sofrer bloqueios. Já no rocker três-estágios a velocidade é menor, mas você ganha muito mais impulsão no salto. Por último, o rocker híbrido é uma mistura do rocker contínuo com o três estágios. Ele perde um pouco na altura mas ganha muito em velocidade.

Quanto mais rocker você tem, ou seja, quanto maior a curvatura, mais devagar, mais solta a prancha e menor a cavada. Para iniciantes, wakeboards com muito rocker irão parecer soltas, mas isso vai lhe ensinar como cavar melhor ao invés de confiar somente nas quilhas, o que compensa em grandes disparadas.

Por outro lado, um rocker menor permite com que o wakeboard vá mais rápido, conecte melhor e seja mais agressivo. Você vai fazer menos esforço, agüentar mais tempo na água e ser capaz de aterrissar muito longe, isso porque o wakeboard plana melhor fazendo com que você não precise fazer muita força para fazê-lo se mover. Em geral, o seu impacto nas aterrissagens é mais difícil, mas o tempo de recuperação nelas é mais rápido, permitindo com que você se alinhe e se coloque em aceleração facilmente.

2. ESCOLHENDO SUA BOTA

As botas de wakeboard são a ligação entre o rider e sua prancha. É muito importante que as botas se ajustem apropriadamente e que sejam confortáveis. A qualidade dos materiais e da fabricação irá fazer uma grande diferença em quão confortável a bota é, o que vai afetar diretamente o tempo que o rider vai conseguir ficar na água.

Detalhes que devem ser considerados quando você for comprar a sua bota: o ajuste e o conforto.

TIPOS DE BOTAS

  • Sandálias e tiras: primeira forma utilizada no wakeboard para prender o pé na prancha. Soltam do pé com facilidade, podendo provocar acidentes nos joelhos e tornozelos.
  • Botas abertas com cabedal (estrutura acima da sola do calçado) de EVA: firmam pouco o pé podendo causar acidentes e são de baixa resistência.
  • Botas abertas com cabedal de borracha ou de plástico: firmam bem o pé dentro da bota, porém são difíceis de calçar, sendo necessário o uso de sabão ou detergente.
  • Botas abertas com cabedal de couro ou laminado sintético: firmam bem o pé dentro da bota, são muito confortáveis e calçam com facilidade.
  • Botas fechadas, com cabedal de couro ou laminado sintético: firmam totalmente o pé, são muito confortáveis e calçam com facilidade. As botas com frente fechada se parecem com as botas de snowboard, dando ao rider uma melhor resposta do calcanhar até os dedos e uma sensação de segurança como um todo.

3. PREPARANDO O BARCO E ACESSÓRIOS

O tamanho do cabo varia de acordo com a marola do seu barco, procure deixar no comprimento onde a marola é melhor formada, isso se dá na distância de 15 a 20 metros da popa do barco com a velocidade entre 19 e 23 nós.

Para motor de popa e rabeta, é aconselhado deixar o trim pouca coisa mais alto que o normal, para então formar maior marola. O que ajuda muito na formação de marolas maiores é peso no barco, seja ele de pessoas ou até mesmo de galões de água, sacos de areia ou barras de chumbo, tudo é válido por uma marola maior.

A Navis possui mastros de fácil fixação seja em barcos ou jet-ski para um melhor desempenho na prática do wakeboard.

4. FAZENDO A RAIA

No wake procuramos sempre o melhor lugar para andar, um lugar que seja liso, sem marolas de vento ou até mesmo do seu barco ou de outros barcos para que elas não atrapalhem na hora de saltar.

É fundamental estipular uma raia antes. Esta raia é feita numa linha reta pois facilita para quem está andando e saltando.

No fim da reta faça um balão e retorne pela mesma reta até a outra extremidade onde fará outro balão e assim sempre.

Não faça raias em curva. Quando o praticante cair, não volte acelerando, Após a queda, desengate, espere o barco parar e então siga engatado até a pessoa. Com isso você não fará marolas prejudiciais à raia e ao mesmo tempo economiza combustível.

 

5. PASSO A PASSO INICIANTES

Antes de mais nada é válido lembrar que o uso de materiais como: colete, botas, prancha, cabo e manete adequados é de suma importância para uma prática segura e eficiente do wakeboard.

5.1 Como levantar:

A melhor posição na água, para quem nunca ficou em pé em cima de uma prancha de wakeboard é ficar relaxado, apenas flutuando. Segurar o manete com as duas mãos de palmas para baixo e abraçar os joelhos, ou seja, seus joelhos estarão dobrados e seus braços envolta deles segurando o manete. Corpo e prancha estarão flutuando.

No momento em que o barco arrancar não se precipite, deixe que o barco faça a força, transfira-a do cabo para as pernas. No wake usamos muito os músculos das pernas, não apenas os dos braços como muitos pensam.

5.2 Em pé:

Para você que já fica em pé e não tem mais dificuldade em se levantar, está na hora de prestar atenção na postura. O seu peso fica equilibrado no meio da prancha e as pernas flexionadas, como se você estivesse sentado em uma cadeira invisível. Quando for cruzar marolas inconvenientes procure ficar mais agachado para não cair de bobeira.

O manete sempre o mais perto da cintura possível. Não deixe o braço esticado.

5.3 Para pular:

Antes de ler esta parte é ideal ver o glossário para entender melhor alguns termos.

Geralmente os iniciantes que já pulam, o fazem apenas uma marola e pousam no meio da esteira da lancha. O ideal é pular de uma marola e pousar na outra, ou além da outra, no flat.

Para começar seu salto comece pela cavada. Faça uma cavada suave, em forma de S, não abra exageradamente ou muito pouco, abra o suficiente para chegar na marola com a velocidade adequada.

No instante que você vem de encontro com a marola, olhe apenas para o topo dela, pois é ali que você dará o que chamamos de pop. O pop é você pressionar a marola na hora que estiver no topo dela para que esse “pisão” faça com que a marola jogue você para cima. Lembre que você pode até saltar de outras formas, mas a melhor forma para você ir alto e pousar wake-to-wake é usando o POP.

Vale lembrar que qualquer pessoa pode praticar wakeboard, basta querer.

A EVOLUÇÃO VEM COM O TEMPO E MUITA PRÁTICA!

6. GLOSSÁRIO

HS/TS - Quando esta sigla aparecer na frente de um truque, significa que você deve optar por realizar este truque de HS (Heel side ou cortando do lado do calcanhar) ou de TS (toe side ou cortando do lado dos dedos do pé). Você estará de TS quando, ao ir em direção a marola, os seus dedos do pé estiverem mais próximos ou apontando para a marola, ou seja, você está de frente para a marola (ou o rastro do barco). Conseqüentemente você estará de HS quando, ao ir em direção a marola, os seus calcanhares estiverem mais próximos ou apontando para a marola, ou seja você está de costas para a marola (ou o rastro do barco).

(1W) one wake - No caso dos truques de rotação esta sigla indica truques a serem realizados no ar, aterrissando entre as duas marolas.

(2W) two wake - No caso dos truques de rotação esta sigla indica truques a serem realizados no ar, aterrissando após a segunda marola. Uma Rotação de Frontside FS é quando você começa a rotação girando para a sua frente e quando a rotação é de Backside BS é quando você começa a rotação girado para o lado das suas costas. Um truque é defindo como "Invertido" quando a prancha fica acima do wakeboarder. Iverte-se a posição, o wakeboarder em baixo e a prancha em cima. Um truque de pegada é definido pelo encontro de ao menos uma das mãos do wakeboarder com a borda da prancha, de maneira clara para os juizes e firme. (tapinhas não valem).

SWITCHSTANCE ou FAKIE - estas palavras indicam truques a serem iniciados ou finalizados com a base trocada, ou seja, com a rabeta da prancha apontando para frente e o bico da prancha apontando para trás. Fakie é quando você está andando fora de sua base. Switchstance é quando você está andando na sua outra base.

HALF CAB - esta palavra indica um giro de 180° saindo de fakie e aterrizando de base normal.


7. LISTA DE MANOBRAS BÁSICAS

MANOBRA

DESCRIÇÃO

FS/BS OFF THE WAKE

Batida na marola

DOCK START

Saída de pé com a prancha em cima do pontão

DOCK START C/ WAKESKATE

Saída de pé em cima do pontão com a prancha em baixo do braço

TOUCH WATER

Tocar a água durante uma curva

FIN RELEASE

Soltar a quilha

SIDE SLIDE

Deslizar a prancha de lado na água

LIPSLIDE ou BUTTERSLIDE

Giro de 90° soltando a quilha no topo da marola

BUTTERSLIDE 180

Giro de 180° soltando a quilha no topo da marola

HS/TS POWER SLIDE(Fin Release)

Soltar a quilha numa curva tipo slalon

HS/TS AIR

Salto simples (2 marolas)

HS SUICIDE

Soltar o manete no ar e depois pegá-lo de novo

BUNNY HOP ou OLIE

Salto sem marola

NOSE BONE

Saltar e esticar a perna da frente (2 marolas)

TAIL BONE

Saltar e esticar a perna de trás (2 marolas)

BACKSCRATCHER

Saltar e dobrar os joelhos fazendo com que a prancha atinja um 
ângulo de no mínimo 90° em relação a superfície da água (2 
marolas)

FASHION AIR

"backscratcher" + soltar a mão de trás e apontá-la para cima (2 
marolas)

TABLETOP

Saltar e dobrar os dois joelhos fazendo com que a prancha fique 
paralela a superfície da água (tolerância de 10° 2 marolas)

FS/BS TWIST

Saltar e rodar a prancha 90° e voltar (2 marolas)

STIFFY

Saltar e colocar a prancha a frente do atleta com as pernas 
esticadas (2 marolas)

BONELESS

Saltar e colocar a prancha a frente do atleta com as pernas 
esticadas (2 marolas)

BUTT SLIDE

Saltar e tirar o pé de trás da sapata, esticando em seguida a 
perna de trás (2 marolas)

BUTT SLIDE W/ RAIL GRAB

"butt slide" + pegada na borda da prancha

HIGH SPEED BUTT SLIDE

"butt slide" + prancha fora d’água (segurar por um segundo no 
mínimo)

BODY SLIDE

Soltar a mão da frente e encostar a bunda, as costas e o braço 
na água (segurar por um segundo no mínimo)

POTATO PEELER

"body slide" + soltar a quilha

LAYBACK

Com as duas mãos na manete encostar as costas na água

8. COMO CONSERVAR O SEU EQUIPAMENTO

Evitar deixá-lo exposto por longos períodos ao sol ou a grandes temperaturas.
Evitar deixá-lo jogado dentro do barco, pois sem que você perceba a prancha pode acabar batendo as laterais ou as quilhas.
O ideal é mantê-lo armazenado dentro de uma capa de proteção e de preferência deixar a prancha em lugar fresco e arejado.
Não depositar objetos sobre o wakeboard.
Para aqueles que praticam wakeboard no mar, antes de guardá-lo recomenda-se passar uma água doce.

 

Agorá é só curtir seu wakebord!